IGAM MANDA REDUZIR LIBERAÇÃO DE ÁGUA NA BARRAGEM DO BICO DA PEDRA, MAS OBRA DE TUBULAÇÃO NO PROJETO GORUTUBA CONTINUA PARADA E COM PERDA DE 40% DA ÁGUA PELOS CANAIS

  • Irrigantes já enfrentam restrições há anos, pois somente recebem água duas vezes por semana 
  • “Estamos precisando de R$ 13 milhões do Governo Federal para terminar a reforma dos canais. Fora isso, precisamos mesmo é de chuvas para a recuperação do nível da barragem”, afirma o presidente do Sindicato Rural de Janaúba, José Aparecido Mendes 
  • Copasa não manifesta sobre decisão do Igam e mantém normal a distribuição de água para a população de Janaúba e de Nova Porteirinha 
Foto reprodução InterTV/Globo
Obra de tubulação se encontrada parada há meses: a distribuição de água para as áreas do Projeto Gorutuba será transferida dos canais, construídos há mais de 40 anos e que se encontram em deterioração, para a tubulação.

JANAÚBA (por Oliveira Júnior e Luiz Ribeiro) – O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) por meio de portaria publicada nessa terça-feira, dia 12 de novembro, declarou situação crítica de escassez hídrica superficial na porção hidrográfica na bacia de contribuição da Barragem do Bico da Pedra, no Rio Gorutuba, no município de Janaúba, no Norte de Minas. Com a portaria, o Igam determinou a restrição da retirada de água do reservatório para várias finalidades.
Em primeiro momento verifica-se que com a medida do Igam a situação é crítica. Sim, é crítica a questão hídrica. Mas, a restrição apontada pela portaria do instituto já vem sendo aplicada há muito tempo. Os irrigantes do Projeto Gorutuba vêm recebendo água apenas duas vezes por semana. A Barragem do Bico da Pedra é a principal fornecedora de água para o projeto de irrigação do Gorutuba, responsável pela grande produção de banana e de outras frutas. É claro que nos últimos anos devido à escassez hídrica, a fruticultura tem limitado à sua capacidade de produção.
A barragem do Bico da Pedra se encontra atualmente com pouco mais de 10% da sua capacidade total. O nível de água está com pouco mais de um metro acima do chamado “volume morto”, ao atingir esse nível a liberação de água para a irrigação fica suspensa. A última cheia nessa represa foi em fevereiro de 2007, quer dizer, há quase 13 anos. Hoje, o volume de água na barragem gorutubana se encontra com 20 metros abaixo do nível de transbordamento.
Com a decisão do Igam, o volume diário de água do reservatório outorgado para a irrigação deve ser reduzido em 25%.  O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Janaúba, José Aparecido Mendes, disse, no entanto, que, “devido às atuais circunstâncias”, a medida não deve ter grande impacto no Projeto Gorutuba. Isso porque, diz, os irrigantes já enfrentam uma restrição, podendo usar água do reservatório somente duas vezes por semana e muitos agricultores optaram pela abertura de poços tubulares em suas propriedades.
José Aparecido diz que 40% da água da Barragem do Bico da Pedra “enviada” para o Projeto Gorutuba vêm sendo desperdiçados porque os canais (feitos de concreto) estão danificados pela ação do tempo, pois foram construídos há cerca de 40 anos. “Estamos precisando de R$ 13 milhões do Governo Federal para terminar a reforma dos canais. Fora isso, precisamos mesmo é de chuvas para a recuperação do nível da barragem”, afirma o presidente do Sindicato Rural de Janaúba.
A portaria do decreto de escassez hídrica na Barragem do Bico da Pedra determina ainda restrições ao uso da água captada no reservatório para outras finalidades: consumo humano, dessedentação animal e abastecimento público, redução de 20%; consumo industrial e agroindustrial (diminuição de 30%) e demais finalidades (redução de 50% do volume outorgado).
A Copasa, empresa responsável pela captação, tratamento e distribuição de água para a população ainda não se manifestou a respeito da portaria do Igam pelo racionamento. A Copasa continua, pelo menos até a manhã desta quarta-feira, dia 13 de novembro, com a normalidade na distribuição de água. Ela é responsável pelo abastecimento de água potável de boa qualidade para os moradores das cidades de Janaúba e de Nova Porteirinha, inclusive para as comunidades do Projeto Gorutuba e do distrito de Vila Nova dos Poções, em Janaúba, e Dengoso, município de Porteirinha. (Fonte: jornal Estado de Minas e Portal Uai)

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